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Dissertação História da Educação Brasileira
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Esta dissertação tem como objetivo analisar as repercussões do processo de colonização no interesse pela educação e as implicações práticas e históricas percebidas até os dias atuais relacionados com a história da educação brasileira, baseada na segunda parte da obra “História da Educação e da Pedagogia” de Maria Lúcia de Almeida Aranha. No texto, estaremos mostrando um enfoque do assunto baseado na visão da autora do livro.

Os primórdios da educação formal no Brasil estão totalmente vinculados a Europa, envolvendo todo um contexto histórico que não nos permite tratar de uma educação brasileira propriamente dita, pelo menos até o fim do século XIX, e ainda assim sendo esta educação brasileira nesse período influenciada pelo modelo europeu, refletindo dessa forma os efeitos da colonização até os dias atuais.

Houve-se uma necessidade de expansão comercial por parte da classe burguesa em ascensão enriquecida devido a Revolução Comercial européia, essa expansão possibilitou que Espanha e Portugal colonizassem o Brasil, que passou a depender totalmente do desenvolvimento desses países no contexto europeu.

A Europa vivia a época do Renascimento trazendo muitas mudanças na forma de pensar o homem e o seu papel, fazendo surgir uma nova visão de mundo cujo homem era o centro das atenções intelectuais, rompendo com a visão teocentrista do período medieval e, por conseguinte modernizando a vida humana através do “livre-pensar”.

Portugal e Espanha, apesar das mudanças que ocorriam em sua volta, ainda estavam presos a um modelo medieval. Por serem países católicos, seguiam os conceitos da Contrarreforma, prezavam o absolutismo real e condenavam os juros, restringindo a acumulação de capital, fator que acarretou no atraso da implantação de um sistema capitalista e as conseqüências desses fatos foram sofridas também pela colônia.

O sistema colonial brasileiro era “agrário-exportador dependente” (“História da Educação e da Pedagogia”, ARANHA. Pág 139), girava em torno dos engenhos de açúcar, usando de trabalho escravo e tendo os lucros retidos pela metrópole. Devido a esses fatores, a educação em si não era considerada primordial, como um fator para a melhoria de vida dos nativos e depois dos escravos negros, mas era usada como uma ferramenta colonizadora servindo a interesses específicos nos quais, os maiores beneficiados eram apenas os colonizadores.

Em 1549, os jesuítas enviados pela metrópole chegam à colônia com o objetivo de converter os gentios e não permitir que os colonos se desviassem da fé católica, impondo a cultura européia, pois a homogeneização das diferenças garantia uma unidade política facilitando a ação da metrópole sobre a colônia. Porém, a ação dos jesuítas não foi meramente política, mas também pedagógica, pois foram implantadas escolas e missões.

Inicialmente os filhos de colonos e os indígenas, juntos, recebiam a educação elementar, a chamada: “escola de ler e escrever”, porém a educação tomou rumos diferentes de acordo com os interesses sobre os tais.

A catequese imposta aos índios, além de ensinar a ler e escrever tinha como objetivo cristianizar e pacificar, tornando-os prontos para o trabalho. Os nativos eram vistos pelos jesuítas como um povo sem fé, sem lei, uma “folha em branco” cujo era necessário preencher ensinando (impondo) os costumes europeus para que uma certa ordem fosse estabelecida, desintegrando a cultura e ignorando o modo de vida indígena, muitos sofreram e não resistiram ao confinamento dentro das missões e aos trabalhos que lhes eram impostos quando capturados pelos colonizadores.

Quanto aos filhos dos colonos, esses recebiam uma instrução diferenciada que se estendia para além da educação elementar, tinha como objetivo formá-lo em um curso superior, para que este seguisse a carreira de letras, filosofia, teologia ou as chamadas carreiras liberais, tendo a oportunidade de estudar universidades européias.

Desde então começa a se observar uma diferença no papel da educação, onde cada qual é preparado com um objetivo, de acordo com o lugar que ocupa na sociedade. A imposição de um modelo europeu urbano e teocentrista rotulado como correto e “civilizado” fez com que a cultura, a religião, os saberes, as línguas, tanto dos indígenas quanto dos negros que habitavam a colônia fossem desprezadas e descartadas por estar fora dos padrões.

Poucos se interessavam pela educação, pois a população agrária e escravista não precisava de uma formação especial para desempenhar seus ofícios, aprendia-se trabalhando, podemos dizer que era um tipo de “educação informal” sem regulamentos e padrões, gerando um grande número de iletrados.

A homogeneização dos povos não aconteceu e o grande choque entre as culturas acarretou uma divisão da sociedade, pois podemos perceber que é a educação que o sujeito recebe que define o lugar que o mesmo ocupará na sociedade, portanto, desde então há uma separação / diferenciação. O modelo de educação européia era voltado para a elite, um exemplo disso é a língua culta da metrópole sendo usada na colônia, só podia compreendê-la aqueles que tinham recebido uma instrução voltada para o desenvolvimento intelectual daquelas que compunham a elite, diferentemente dos índios que eram condicionados ao trabalho. Exemplo disso os cursos superiores nas universidades da Europa, excluindo as outras camadas da sociedade, como índios, negros e pobres cujos quais não tinham condições financeiras para dar continuidade a seus estudos além da escola elementar.

A divisão social e a educação desigual estabelecida no início da educação no Brasil perduram até os dias atuais. E por mais que as diferenças culturais não precisem ser neutralizadas para que haja uma educação igualitária, ainda restam vestígios de preconceitos e desprezo para com algumas classes, como negros, indígenas, pessoas de classe social/econômica mais baixa/restrita.

A educação brasileira ainda é totalmente desigual e continua favorecendo a elite, pois quem tem condições de estudar em uma escola privada recebe uma educação de qualidade diferenciada daqueles que dependem do ensino público e esse fato tem um peso importante e determinante na separação de níveis das classes sociais, pois atualmente sem uma educação de qualidade não há espaço no concorrido mercado de trabalho, fazendo com que sempre haja uma classe inferior à outra seja social, econômica ou até mesmo culturalmente.

Conclui-se que a educação brasileira sempre foi elitista, portanto, desigual. Podemos citar alguns exemplos atuais que corroboram para a confirmação dessa tese: um seria a questão dos vestibulares para universidades públicas, pois para se obter aprovação precisa-se de uma base sólida de conhecimento que não é passada de forma igual para os alunos de instituições públicas e privadas, outro seria o acesso à cultura, pois apesar deste ser “aberto publicamente”, apenas quem tem uma melhor condição financeiro-social tem maiores possibilidades de participar e absorver esse conteúdo, relacionando este fator com a questão da educação, por exemplo, podemos dizer que a elite é privilegiada devido ao maior acesso à compra de livros e materiais que o auxiliem para obtenção de uma melhor formação.

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Análise Crítica: Interdisciplinaridade [Atitude e Método]
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- Introdução

 

O texto de Moacir Gadotti trata uma “definição” de interdisciplinaridade baseada em diversos pontos de vista e baseado em diversos autores como, por exemplo: Marx, Lucien Goldman, Piaget entre outros no decorrer dos tempos desde que o termo interdisciplinaridade começou a ser utilizado.

É tratado aqui, neste momento, da função da interdisciplinaridade na educação. Como ela tende a resolver, ou, ao menos, dar a direção para se resolver o problema da fragmentação das ciências no processo de conhecimento e do saber.

Houve algumas tentativas de restabelecer a unidade das ciências como a tentativa realizada sob as tradições marxistas que “afirmava que só existia uma ciência, a história” e que chegaria a solução para a fragmentação não com a interdisciplinaridade e sim comum referencial (historicidade) comum que é a história.

E, vemos também que há um “embate” de pontos de vista contra os positivistas no que tange a objetos de observação e estudos da ciência, mostrando que a interdisciplinaridade poderia sim, acabar com a fragmentação do saber.

 

- Uma “outra” visão de interdisciplinaridade

 

Tomando como base o texto “INTERDISCIPLINARIDADE: Atitude e Método”, para explanar aqui essa “outra” visão de interdisciplinaridade, vemos que tanto dentro como fora das salas de aula, temos o processo de aprendizagem em pleno funcionamento para o individuo.

Como, por exemplo, quando ele expõe a Metodologia do trabalho interdisciplinar, mostrando alguns princípios nos quais a interdisciplinaridade se baseia: noção de tempo (não há tempo certo para o aprendizado, ou seja, aprendemos a toda hora, tanto dentro, como fora de sala de aula “Emília Ferreiro”). Trazendo isso para o lado “prático”, percebemos que temos oportunidade e possibilidade de aprender em tudo o que estamos fazendo: trabalho, leitura de um livro, assistir a um filme, ouvir uma música, um passeio, enfim, em tudo que formos fazer temos a possibilidade de aprender.

Um outro ponto abordado por Gadotti em seu texto é a “crença de que é o individuo que aprende”. Vendo isso em nosso dia a dia, podemos afirmar que uma maneira mais eficiente no processo de educar é mostrar que o individuo tem a capacidade, possibilidade e condição de aprender, ou seja, isso é do individuo, ao contrário do que se pensava anteriormente, não é transmitido para o individuo o conhecimento e saberes.

Desta forma, faz-se necessário encarar a interdisciplinaridade não somente como integração de conteúdos, mas sim como postura e atitude, pois assim, teríamos a total interação e reciprocidade entre as ciências/disciplinas, alcançando uma forma de conhecimento globalizante onde não haveria fronteiras no processo e forma de aprendizagem.

Entramos, a partir deste ponto, em um outro “nível” de conceito de interdisciplinaridade. Estamos falando aqui de transdisciplinaridade (Piaget, 1972:144), onde rompemos as barreiras/fronteiras das disciplinas, ou seja, passaríamos de uma concepção fragmentária e entraríamos em uma visão unitária de produção e reprodução de conhecimento e saberes (educação permanente).

 

- Conclusão

 

            Com base no que foi escrito acima, podemos concluir que, todo o processo de teorização, estruturação e implantação da interdisciplinaridade nas ciências da educação (ciências “filhas”: ciências aplicadas à educação originadas das ciências mães), deve ser pensado e praticado de forma unigênita, ou seja, de forma a: o todo ser um só e cada disciplina ser despida de título/especialização (entenda-se especialização por separação em áreas disciplinares) e se tornar parte integrante do todo que é a educação em sua forma completa e abrangente. 

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Análise Crítica: Mitologia Egípcia
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INTRODUÇÃO

 

            Quando nos propomos a pensar nas sociedades da antiguidade, como por exemplo, o Egito, a tendência é que façamos uma generalização simplificadora da realidade dessas sociedades, e muitas vezes ignoramos a seriedade desses povos e ou levamos para o lado do absurdo (o que diz respeito ao mito). Porém dentro de uma analise acadêmica temos que nos despir desse tendenciosidades e lançar mão de lentes diversas para olharmos os diferentes contextos nos diferentes tempos históricos.

            Assim ao debruçarmos sobre esse conteúdo buscaremos entender as especificidades dessa sociedade, não com o intuito de julgar como inferior ou superior, certo ou errado, mas como características de um contexto em especifico.

            A partir daí poderemos traçar problemáticas em relação as suas relações sociais e buscar entender o amalgama desta sociedade que esteve pautado nas relações religiosas, no mito, na fé, não separada do poder, mas se complementando nesta sociedade.

 

 

 CARACTERÍSTICAS GEOGRÁFICAS E SUA

RELAÇÃO COM O COMPORTAMENTO SOCIAL

 

A importância do Nilo no meio social

 

Neste capítulo, trataremos da geografia do Egito antigo, suas divisões (Baixo e Alto Egito), sua relação social, de sobrevivência, relação comercial, sua co-relação com o mundo dos deuses e suas atuações no mundo real.

Falaremos também da dinâmica: homem e deuses, exemplificando como era dada a diferença em relação aos poderes que os deuses detinham e os homens não, falaremos dos elementos da de composição do corpo tanto humano como dos deuses e a relação do homem do real e o homem do imaginário.

Temos no Egito, nessa época, uma configuração geográfica que divide o país em duas partes o Alto Egito (também conhecido como “Vale” por sua forma estreita e comprida) e o Baixo Egito (também conhecido como “Delta” por sua forma triangular).

Nesta configuração temos “dois Egitos” totalmente diferentes, um onde a água é presente constantemente por causa do rio Nilo e temos muita vegetação (área verde) e outra parte que é uma região seca de deserto.

Ambas as partes sofrem com a época das cheias do Nilo, porém essa moeda tem dois lados, pois sem a época das cheias, não se teria a agricultura que era a base da economia nessa época, o que inclusive, teve essencial importância para o desenvolvimento da tecnologia egípcia, visto que era necessário construir barragens  para controlar as cheias devastadoras.

A linguagem figurativa e /ou metafórica data da Época Tardia no Egito onde a natureza era imutável e totalmente necessária. Pois o mesmo animal perigoso que  era visto com medo e respeito era também aquele que representava sua “segurança”, era pois, o animal, assim como os fenômenos naturais, reações e manifestações das divindades que eram ambivalente no modo de pensar dos egípcios.

Sofria-se e era perturbação constante para os egípcios, o desequilíbrio natural e social e todas as suas conseqüências, porém para eles tudo isso era decorrência divina, pois, como foi explicado anteriormente, sobre seus atos aqui na terra, toda manifestação natural provinha dos deuses e mereciam seu absoluto respeito.

Dentre todas as manifestações naturais (sejam elas venturosas ou trágicas para os egípcios), apenas uma não era considerada e interpretada como catastrófica, que eram os tremores de terra que eram visto como uma “declaração” de alegria da terra para com a presença divina.

Viam eles (os egípcios) que toda ordem natural, era o reflexo da ordem política das coisas e tendo isso como verdade, conclui-se que, toda e qualquer modificação não proveitosa e não justa que acontecesse dentro do meio sócio-político, seria refletida como aviso em forma de manifestações naturais trágicas (catastróficas) para eles.

 

As duas partes da criação: deuses e homens

 

Nas linhas abaixo trataremos de uma questão interessante para entendermos a dinâmica da criação dos deuses e dos homens. Falaremos aqui especificamente do assunto criação e diferenciação dos homens e deuses.

Temos aqui uma explicação (teórica) é claro, que, coloca em plano de semelhante igualdade a criação dos homens e dos deuses, pois, se compunham dos mesmos elementos de criação, apenas um vivia no mundo real (humano) e o outro no plano universal/imaginário (deus). Onde se criou o homem, os animais e vegetais, esses dois últimos para alimentação do primeiro, porém, não tinha o homem privilegio algum sobre as outras formas de criaturas (animais e vegetais). Mas que, este mesmo homem que aparentemente não tinha poderes e nem valores além dos normais dos seres humanos, tinha a mesma essência divina, pois, era criado a partir dos mesmos elementos da criação dos deuses e também era criado a partir do mesmo criador. Sendo assim, após morrer e fazer sua transição ao mundo do imaginário (mundo dos deuses) através dos rituais próprios para a ocasião que faziam para que ele fosse “recebido” no outro mundo, ele conseguiria exercer novos poderes e conheceria e se utilizaria de faculdades até então para eles desconhecidas, como os deuses dispunham.

Neste ponto, trataremos do “homem do real”, ou, corpo físico, importância dos seus órgãos na direção de suas atitudes e a importância do nome da pessoa.

O corpo e todos os seus membros era depositário da essência do homem enquanto este estivesse vivo e que no momento de sua morte (no mundo real) ficava inerte quando depositado em seu sarcófago, e essa essência tornava-se independente ao passar para o mundo imaginário.

No corpo, todos os órgãos tinham sua importância vital para o homem, mas, para os egípcios o coração exercia também um papel de “consciência e intelecto”, sendo o órgão responsável por “tomar as decisões” que cabiam ao indivíduo. Nele abrigavam-se os sentimentos, tanto bons, como os sentimentos ruins e isso era o que fazia do coração uma espécie de balança para as decisões a serem tomadas e era através dele também que era obtida a concepção das coisas, era neste ângulo encarado como intelecto também.

E como não se veria diferente, o coração sendo responsável por sentimentos e decisões decorrentes desses sentimentos e também de formação de um pensamento e posteriormente a realização desse pensamento transformando-o em realidade, o coração era a peça fundamental para o julgamento do indivíduo no momento de sua passagem para o mundo imaginário, pois era nele que estava contida toda a memória do indivíduo e também todo o “peso” de suas ações o que diria se ele teria direito a uma boa vida ou não no mundo imaginário.

O nome apesar de não ter ligação física nenhuma com o indivíduo, exercia fundamental papel na vida do homem e dos deuses também, pois era através dele (nome) que o indivíduo teria uma identidade única, formaria uma personalidade e também tinha ligação direta com a questão divina, visto que na realização de um rito a  certeza do resultado certo sobre o que foi pedido se dava pela evocação do nome do individuo no momento (fosse ele um deus ou um humano).

Mas isso também constituía uma ferramenta perigosa para os deuses e para os homens igualmente, pois, se algum mal-intencionado soubesse o verdadeiro nome do indivíduo para quem está sendo realizado aquele rito, ele poderia atingir de formas impensáveis o indivíduo assim como se fosse apagado o nome de determinada pessoa, faria com que ela não existisse no mundo imaginário.

 

A INFLUÊNCIA DOS DEUSES NA SOCIEDADE DO EGITO ANTIGO

 

Bem, trataremos no próximo capítulo sobre “Os deuses e seu universo” e subdividiremos o capítulo nos tópicos: O aparecimento dos deuses, a natureza divina, o espaço e o tempo dos deuses e a língua e subsistência dos deuses.

Decorreremos nas linhas seguintes, uma visão baseada em algumas teorias que foram formadas sobre o assunto. Teorias formadas com base em estudos arqueológicos e estudos que são baseados em estudos já feitos antes, porém, muitas teorias distintas e todas divergentes umas das outras, onde cada um traz uma “explicação concreta” para sua teoria que, na verdade, não se pode comprovar.

 

Os primeiros passos

 

            Neste primeiro momento, trataremos de algumas das tórias surgidas, que tentam explicar o “aparecimento dos deuses”, na antiguidade no Egito.

            Existem diversas vertentes que tentam explicar o surgimento dos deuses no Egito, de diferentes formas e com diferentes abordagens sobre o assunto. Algumas, por exemplo, explicam o surgimento dos deuses através dos antepassados como personagens que tomaram formas divinas, outros explicam que os deuses surgiram através de emblemas étnicos, já outros tentam mostrar que os deuses surgiram do totemismo (Imagem da força divina difusa coletiva, impessoal que muito se aproxima do mana dos Polinésios). Já outros remetem às insígnias dos nomos, inclusive, essa teoria muito se aproxima da teoria citada acima, onde o rei era filho do animal-totem. Em momentos posteriores foram criados pelos teólogos os deuses universais.

            Posteriormente, outras teorias surgiram onde, por exemplo, se recusou a idéia do totemismo, pois, os deuses antigos (fetiches animais) adotaram o corpo humano e se tornaram antropomorfos. Outra teoria foi a criação das três idades: fetichista, zoolátrica, antropomórfica. Já outra teoria entendia os deuses egípcios como forças da natureza, divinizadas localmente, onde no final cada deus local tornar-se-ia um deus universal através do trabalho de teólogos que detinham e sustentavam o poder político. E, já em outro momento, a dita (escola moderna), passou a enxergar o surgimento dos deuses de uma maneira diferente, perceberam que o nascimento dos deuses só seria possível através da distinção do indivíduo em relação ao seu meio (confrontamento com a natureza), onde o mana (forças difusas) torna-se atuantes e sua ação é descrita pelo mito, porém essas abordagens são difíceis de provar.

            Notamos aqui através dessas teorias formadas por diferentes pontos de vista que, o “aparecimento” dos deuses era e continua sendo tratado com bases político/religiosas, em que se tem como objetivo, moldar uma sociedade através da manifestação das “forças divinas”.

Veremos agora alguns pontos de confirmação no Egito dos deuses como tal. Essas informações datam da época tinita (cerca de 3.150 a.C.). Porém essa crença num “ima        ginário” além da morte, já aparecia em meados do sexto milênio a.C. se realizavam “rituais” de oferendas que eram depositadas junto ao corpo para assegurar sua subsistência e, foram se “aperfeiçoando” com o passar do tempo.

Neste período já se acreditava em algo além da vida do corpo fisco (matéria) e que, neste outro plano se vivia uma vida semelhante a que viviam na época Tais rituais eram exercidos para uma perpetuação da “imagem” do morto na terra onde ele vivia e também para a manutenção da sua vida no outro plano onde se encontraria após a morte do corpo físico, pois achavam que se não fossem feitos esses rituais o morto seria esquecido e aos poucos seria “apagada” também sua memória e ele deixaria de existir por completo.

Pode-se notar que, com o passar do tempo e as modificações decorridas dele, foram introduzidos alguns símbolos que se associam a divindades da época faraônica, como o (raio) do deus Min e as (flechas cruzadas) da deusa Neith e possivelmente Ra (um disco solar), Hórus (um falcão), ou mesmo Hathor (dois chifres de vaca).

Em uma visão mais recente, vemos que, o Egito entre os períodos de Nadaga II e III, era bem estruturado comercialmente e as cidades tinham organização econômica.
nota-se também que os líderes dos grupos nessa época do Egito detinham muito poder religioso, ou ao menos mostravam tê-lo que, representaria uma identidade diante de um poder central. Um exemplo disso seria a prosperidade da cidade do falcão Hórus, cuja prosperidade se deveria  à exploração do ouro no deserto oriental.

A unificação do Egito sob um rei único, é vista hoje com possibilidade de ter ocorrido entre (3300-3150 a.C.), que sucedeu a dinastia Nagada III e precedeu a primeira dinastia.

Vale ressaltar que, o que vimos até aqui, trata apenas de teorias sobre o surgimento dos deuses. Porém nada conclusivo e, veremos no tópico a seguir uma “explicação” da terminologia de deus ou divino para os egípcios e como essa terminologia influenciava na sociedade da época.

 

A força política do termo “deus”

 

O termo ‘deus’ é utilizado para descrever tanto o deus único judaico-cristão, quanto os deuses pagãos e temos também dois signos que “retratam” os seres divinos na escrita: o falcão e o personagem barbudo sentado e munido da cruz da vida. Um por suas habilidades no vôo, sua força, sua possibilidade de planar por muito tempo, muito alto e muito longe e, o outro, por mostrar o divino à imagem do homem.

      Apresentou-se recentemente a idéia de que o rito estivesse constantemente ligado com a noção netjer (deus) em que só se haveria  o divino se através do rito.

      Muitos lugares, seres e objetos poderiam ser ‘divinos’, mas se implantava a idéia de que somente o rei poderia ser considerado apto a sê-lo, pois o qualitativo seria aplicado à função e não à pessoa.

      Os nomes eram muitas vezes “criados” e utilizados de acordo com a natureza da divindade, ou seja, expressava características e/ou habilidades que a divindade possuía. A pronuncia do nome dos deuses era também utilizada como “arma” e eram perigos, pois podia ser usada contra o seu “proprietário”, ou seja, contra o deus que se intitulava com o referido nome. Por isto, eram utilizados diferentes e por vezes até múltiplos nomes (veja por isto, o deus Ra) de forma a “proteger” sua verdadeira nomenclatura divina e assim, proteger também seus poderes. Era também utilizada a forma de ocultação do verdadeiro nome através de nomes secretos que expressavam em poucas sílabas, o verdadeiro nome do deus e a essência de seu poder.

      Seus poderes ou energias (Ba) que eram provindas da personalidade/especificidade divina em função de seus elementos (bau) que eram simbolizados por essencialmente por elementos e fenômenos naturais como o vento, a chuva, a água etc. uma forma de manifestação visível da ação divina no sensível.

      Considerava-se a razão pela emoção (coração), onde este o guiaria (consciência) pelos caminhos e escolhas certas a serem tomadas.

            Aqui vimos que, como no tópico anterior, tudo gira em torno de poderes e de uma política de ações para que se possa obter êxito, ou fracasso em sua posição social (entende-se aqui por social sua potencialidade divina).

Veremos no tópico a seguir a relação de tempo e espaço dos deuses no mundo dos homens e no mundo do imaginário e suas relações com a sociedade da época.

 

A força e alcance dos deuses

 

Neste momento, trataremos da noção tempo-espaço dos deuses.

Apesar de haver uma “separação” entre o mundo real e o mundo imaginário e, também de haver uma questão de posição geográfica (localidade) dos deuses, seus poderes (aqui no mundo real) se estendiam por todo o espaço onde era concebida a criação e existência do mundo real.

Quase todos os deuses eram ‘senhores do céu’ e nenhum espaço divino era interditado a eles até os deuses do “mundo inferior” tinham seu espaço no céu (veja por isto Osíris que se encontrava lá em forma da constelação de Órion).

Eles tinham, no horizonte, uma espécie de espaço liminar próximo onde, podia se apreciar e “participar” dos ciclos solares e era o limite da terra sensível e do imaginário, local de refúgio dos deuses.

Os egípcios sempre foram muito ligados com dualidades e isso se reflete no “tempo dos deuses” que era considerado de forma divida em duas “eternidades”. Uma delas era o ciclo solar que tinha sua renovação periódica e ritmada pelo trajeto do sol, que era o “caminho de seu pai Ra”. A outra era considerada através da permanecia da existência, ou seja, tempo de vida e, uma dependia totalmente da outra.

Embora os deuses partilhassem dos ciclos de tempo dos humanos (nascer, crescer, amadurecer, envelhecer e morrer), sua subsistência e proporção de tempo eram distintas das dos homens e suas atuações eram cíclicas e perpétuas como os ciclos de Ra.

Neste momento, vimos que o “mito” dos poderes dos deuses influencia diretamente o “caminhar da sociedade”, pois, se tem a convicção da sobrevivência da personagem no mundo do imaginário após seu tempo no mundo real, e acredita-se que seus poderes não são alterados/perdidos, mostrando assim uma força de controle e de poder sobre um povo.

Veremos no próximo tópico pontos importantes que tratam da comunicação dos homens com os deuses (língua divina falada e escrita). Como surge uma necessidade de se falar com os deuses em uma língua (idioma) diferente e secreto e também como isso se desenrolou na sociedade.

A política da comunicação divina

 

Aqui falaremos nos próximos parágrafos sobre a língua dos deuses e seus meios de comunicação com os homens, relatando a importância social desse fato, falaremos também da crença de vida em outro plano (pós-vida corpórea) que eles acreditavam desde épocas remotas e de como era mantida essa subsidência neste outro plano, e também como eram realizados os rituais para “entregar” as oferendas para sua manutenção de vida neste plano.

As formas de comunicação que havia neste momento no Egito, eram simplórias, porém, baseava-se que a língua egípcia era a língua “correta”, pois tinham como inferiores os falares não-egípcios. A forma de comunicação com os deuses era a mesma língua utilizada pelos humanos e isso perdurou aproximadamente até a 18ª dinastia, onde foi atribuída por Akhenaton a seu deus a diferenciação das línguas de país para país.

Até esse momento concluía-se que os deuses poderiam “entender” as línguas dos estrangeiros, pois estes conseguiam fazer a passagem para o mundo dos mortos. Mas com essa separação das línguas de país para país, a língua grega foi adotada como segunda língua oficial do Egito, os deuses também passaram a ser bilíngües a partir de então.

Deste momento em diante, surgia a necessidade de se “criar” uma língua específica para a comunicação com os deuses e, baseado em uma observação natural das rotinas dos babuínos, surge então a “língua secreta dos deuses” que, por motivos de manipulação política revestida de caráter “divino superior”, só os reis por serem figuras oficiais no Egito, “tinham o conhecimento” dessa língua e consequentemente detinham a compreensão dos mistérios de Ra. Tornando-os “portadores” dos desejos e desígnios de Rá para seu povo.

            Acreditava-se que a vida continuava após a morte física, porém, essa subsistência dependia de certa manutenção por parte dos vivos, tornando assim os deuses diretamente dependentes dos humanos.

            Essa manutenção era feita através de oferendas que eram entregues a esses deuses, mas que toda oferenda pura e simplesmente pelo objeto em si, não consistia na certeza do resultado dessa manutenção, era necessário também a realização de certo culto de reverencia e evocação aos nomes desses deuses para que fossem validados os resultados àquele deus a que foi endereçada a oferenda. Isso era feito através de rituais que consistiam na queima de incensos, e proclamação dessas palavras “eficazes” e eram realizadas essas oferendas todos os dias.

            A realização destes ritos e a “vivificação” dessa necessidade tinham ligação direta com a economia do país e também dos templos, pois tudo dependia da aplicação de certa noção de justiça que dizia respeito ao “reinado de Maat” (filha de Ra), pois, em todas as oferendas, fossem elas de qualquer natureza, era realizada simbolicamente através de uma estatueta de Maat, o que, de certa forma, legitimava o poder do deus que na grande maioria das vezes era a figura do faraó ou do rei. Colocando assim, a centralização do poder econômico e político nas mãos do próprio e, por conseguinte, modificando assim, o caráter divino desse rito, mostrando uma forma de manipulação econômico-social.

            Neste momento, como vimos acima, pode-se concluir que a força política está totalmente vinculada a execução da crença religiosa e cultural no Egito, tornando a figura do faraó e do rei únicos detentores de condições para se comunicar com os deuses do imaginário, fazendo deles também, os reis e faraós, capazes de mostrar para seus súditos somente o que eles queriam que fosse visto e da forma que eles gostariam que vissem. Manipulando toda uma população (local e às vezes até regional) através de crenças de caráter religioso e sagrado.

 

QUAL ERA A APARENCIA DE UM DEUS?

 

Múltiplas faces e nomes de um mesmo deus

 

Neste pequeno capítulo, porém de importância igual aos demais, tratará da polimorfia divina, assim como da multiplicidade de seu nome e de seus símbolos representativos.

Seu verdadeiro nome, assim como sua verdadeira forma representativa (emblema, ou símbolo), tinha ligação direta com suas especificidades (poderes). Por isso não podia ser revelado o real nome nem emblema do deus a fim de manter em segredo sua força e potencialidades. Visto que, quem soubesse, por exemplo, o verdadeiro nome de um determinado deus e realizasse um culto de reverência tendo outras intenções que não fossem somente a de reverenciar o deus em questão para “mantê-lo” vivo no mundo do imaginário, poderia com a evocação que fizesse se apropriar de sua força e potencialidades a partir de então. Assim como poderia utilizar-se do nome do deus para fazê-lo sentir sua própria força contra si mesmo.

Esse fato tinha total ligação com a parte político-econômica da sociedade. Afinal, tudo gira em torno de “ter poder” e se tenho poder, eu posso mais e isso se dava de maneira a expressar tal poder em outras cidades, pois, cada cidade tinha seu deus local, o que não significava que não se podia ter e adorar outros deuses no mesmo local, exemplificando assim a “necessidade” de se ter vários nomes e várias formas em lugares diferentes.

Tendo como base o que foi relatado acima, concluímos que apesar de existir, ser praticada e respeitada a crença em tais práticas religioso-culturais, era também e principalmente uma relação de poder político que era exercida pelos faraós que se apropriaram dos nomes e se colocaram como deuses centralizando em si próprios o domínio e controle de sua sociedade local.



CONSTRUÇÃO DO CÉU E DA TERRA

 

Os primeiros passos

 

Podemos perceber nesta parte da história do Egito que ela gira em torno de uma possível guerra de unificação pelo Egito ou não, no entanto, é interessante perceber como a estória legitima o poder real dos Faraós, pois esses passam a estarem ligados a Hórus e por tanto são considerados também deuses. A partir daí pode-se justificar toda a interferência e controle do Faraó na política, economia e vida social do Egito. Por muito tempo a palavra do Faraó era inquestionável até que os sacerdotes começaram a fortalecer-se e o Faraó viu-se obrigado a buscar o apoio destes sacerdotes nos templos, fosse em Tebas, Heliópolis ou em outras cidades egípcias.

           A tríade de pai, mãe e filho dos egípcios também demonstra toda a versatilidade da religião e cultura do Egito e como eles viam os seus deuses e se ligavam a partir dessas lendas a sua história e não apenas as usavam como um elo com o seu passado mais longínquo mais também buscavam essas estórias como uma forma de legitimar o poder político.

            Para exemplificar essa narrativa, nos utilizaremos a seguir da lenda de Isis e Osíris que retrata bem essa questão, assim como conta um pouco da história do Egito.

           Através das eras, os homens tentaram encontrar explicações para a criação do universo e da sua própria criação, para isso utilizaram a religião como ferramenta, surge então os Deuses e mitos fossem nas civilizações  Sumeriana, Babilônica, Romana, Grega, Hebraica ou na Egípcia. Trataremos nas próximas linhas mais especificamente da cosmologia egípcia; como eles conceberam a criação do universo, o nascimento dos seus deuses e do homem.

            No início só existia o Num, um oceano primordial que representava um universo de caos aonde se encontrava todos os componentes básicos de tudo que existiria eternamente e dentro do Num encontrava-se adormecido Ra (o deus sol) que num determinado momento resolveu viver.

          Ra ou Amon - o deus auto-criado - aquele que já existia, concebe o primeiro casal de Deuses (a 2ª Geração celestial): Shu e Tefnut, ambos concebem uma terceira geração de Deuses celestiais: Nut (Céu) e Geb (Terra). Eles se casam e concebem a quarta geração de Deuses  deles nascem : Osíris, Ísis, Néftis e Seth, eles formam a primeira geração de Deuses que vivem nos dois países;  Baixo Egito e Alto Egito. São os quatros Deuses que se ocupam de velar pela terra, ou que entram no mundo egípcio para completar o binômio bem e mal, vida e morte, ou seja, são deuses vivos que governam o Egito.

           Osíris é o Deus da sabedoria e da fecundidade ele governa com sua Irmã e esposa Ísis que formam o binômio positivo enquanto Seth é o Deus da força bruta o Deus da maldade que tem com esposa sua Irmã Néftis que formam o binômio negativo.

             Durante a história egípcia os conceitos de cosmologia sofreram variações e mudanças. Deuses novos surgiram e outros caíram no esquecimento, tudo isso mostra como era dinâmico a religião e cultura egípcia. Alguns pesquisadores acreditam que o Egito caminhava para o monoteísmo, de fato, durante o reinado de akhenaton ele impôs o culto a um único deus “o deus Aton”, mas logo depois do seu reinado a religião tradicional foi restaurada. Como outras civilizações os egípcios utilizaram a religião como uma ferramenta para as explicações dos fenômenos naturais, da origem do universo e do homem, uma dessas explicações transformadas em lenda é a da Triade de pai, mãe e fillho (Osíris, Ísis e Hórus) que apesar de não haver indícios que comprovem, narra uma possível guerra de unificação no Egito. A guerra que unificou Alto Egito e Baixo Egito, nas linhas abaixo narraremos a lenda.

 

O assassinato de um deus

 

                  Osíris era casado com sua irmã e esposa Ísis ambos governavam o Egito, entretanto, Seth seu ambicioso irmão, queria usurpar o trono. Seth oferece um banquete em homenagem a Osíris e cria um estratagema que engana Osíris. Ele manda construir uma arca nas medidas exatas ao do corpo de Osíris, durante o banquete o Rei entra na arca a Seth aproveita e o tranca, sem ar Osíris morre.

            Inicia se a busca de Ísis pelo corpo do seu esposo. Ísis fica sabendo que a Arca foi lançado no Rio Nilo e então sobe o Rio até o mar e chega à cidade de Biblo.

             Ísis não encontra a arca, mas descobre que falava se de uma fabulosa tamargueira que cresceu da noite para o dia e que o Rei Melcarte mandara cortar e levá-la para o palácio, a fim de utilizá-la como pilar. Ísis consegue entrar no palácio e explica a rainha o que aconteceu. O Rei e a Rainha de Biblo devolvem a arca com o corpo de Osíris a Ísis e também lhe dão um barco.

           Ísis esconde-se nos pântanos a fim de fugir de Seth, entretanto, ele  encontra a arca e retira o corpo do Rei, o corta em catorze pedaços que espalha por todo o Egito. Ísis inicia uma nova busca  pelos pedaços do corpo de Osíris depois de vários anos ela os reúne e com a sua magia junta novamente o corpo, entretanto, só com o poder de Rá, Osíris volta a vida, e  Rá o  transforma  no senhor dos mortos.

          Rá concede a Osíris e Ísis a terem  um filho pós-morte  chamado Hórus. Ele é escondido, já que Seth intencionava matá-lo, e educado pela deusa Ísis e treinado nas artes militares por Osíris, seu pai. Preparado Hórus intitula-se Rei do Egito, no entanto, Seth que matou o seu irmão para ter o controle do Egito não admite que Hórus, o verdadeiro herdeiro do trono, volte e assuma o reinado no Egito. Inicia-se uma terrível guerra pelo controle do Egito, que ameaça de destruição todo reino. Ambos são levados ao tribunal dos Deuses e estes se mostram a favor de Hórus, no entanto, Rá não chega a uma decisão e o impasse continua. Mas uma vez Hórus e Seth lançam-se numa devastadora guerra. Num determinado momento Seth encontrou Hórus dormindo num oásis e arrancou-lhe um olho, mas, graças a Hator, sua esposa, consegue recuperar a visão.

            A guerra dura por oitenta anos e mais uma vez os Deuses interferem no confronto levando os dois ao tribunal dos Deuses mais uma vez. Desta vez Osíris interfere ameaçando soltar demônios só fieis a ele no mundo. Por fim os Deuses  decidiram por dar a coroa a Hórus e finalmente Seth foi derrotado. Hórus passaria a ser o antepassado de todos os faraós que lhe seguiram.

Funcionamento do universo

A “imagem cosmológica” que eles tinham sobre o surgimento do universo e seu funcionamento está totalmente vinculada aos deuses.

Acredita-se que o demiurgo Atun através de um escarro, ou do sêmen, deu origem a Shu e de um cuspe, deu origem a Tefnut formando então a 1ª geração (I Cosmo).

Shu e Tefnut deram origem a Geb (terra) e Nut (céu) formando a 2ª geração (II Cosmo). Eles representam o mundo dos humanos e seu funcionamento.

 

Ex.: Ciclo do Sol

A – NUT (o céu);

B – SHU (o ar, espaço);

C – GEB (o solo);

NUT e GEB são irmãos separados por sue pai para manter o equilíbrio.

D – NEKEBET (protetora do sul);

E – “O VAZIO” (lugar que os deuses desconheciam);

F – SOL POENTE (a boca e NUT);

G – PERCURSO (caminho do sol até a boca de NUT);

H – PRÉ AMANHECER (o sol ainda encoberto);

J – O SOL APARECENDO NO HORIZONTE (aos pés da deusa);

K, L – NASCER DO SOL (depois de passar pelo seu corpo o sol nasce dos órgãos genitais da deusa);

            O sol tem  4 (quatro) ou mais nomenclaturas:

Rá (o astro em sua plenitude);

Atum (pôr do sol);

Kehépri (nascer do sol);

Aton (“disco luminoso”, representa todo o percurso do sol no céu);

            GEB e NUT deram origem a 4ª geração: OSÍRIS (sabedoria), SETH (força brutal), NEFTIS (irmã de OSÍRIS), ÍSIS (esposa e irmã de OSÍRIS) e HÓRUS (filho de ÍSIS e OSÍRIS).

 

A influência dos deuses no dia a dia do Egito

 

Abaixo de HÓRUS, vinham os reis (faraó), eram vistos como os próprios deuses na terra. Era como se os deuses repousassem e o faraó cuidava de tudo.

No Egito tudo estava ligado aos deuses (a política, a economia, os problemas etc.).

Por volta do considerado e nomeado Novo Império, surgem mitos totalmente ligados ao contexto social.

Por exemplo: “quando a fome se abatia por um país, era por que a barca de Rá encalhara no banco de areia da Serpente Apófis”. (TRAUNECKER, 1995. p. 107)

Amenófis IV “o místico profeta” durante o seu reinado modificou as visões, chegou a formar sua própria cidade, mas, fracassou.

Seu objetivo era “associar o real e criar uma nova filosofia”.

 

 

ENTRE OS DOIS MUNDOS

 

Como se comunicavam

 

Neste capítulo, discorreremos sobre as formas de comunicação partindo dos deuses para os homens e também uma comunicação partindo do homem para os deuses. Falaremos das formas de presença divina na terra, como era encarado isso dentro da sociedade, quais eram seus anseios, seus medos e suas formas de adoração a seus deuses.

Existia-se uma forma de comunicação natural que eram os bau divinos que estavam no mundo, podia-se também se comunicar através se comunicar utilizando-se das imagens de culto que abrigavam também os bau divinos, porém, os homens não achavam essa uma forma eficaz de comunicação e houve uma “procura” por meios de comunicação mais diretos tanto por parte dos deuses que assim o queriam como por parte dos homens que se viriam mais “bem atendidos”.

Era através aparições em espírito-akh ou tomando uma forma humana que se dava essa comunicação direta quando era necessário, mas, comumente era realizada essa comunicação através de sonhos, porém, curiosamente, só os reis, ou faraós tinham a condição de “ver” claramente os deuses em sonhos. Posteriormente os deuses passaram a se mostrar com mais freqüência inclusive auxiliando em casos médicos, mas os egípcios tinham medo de ficar frente a frente com os deuses.

Esse fato se dava pelo medo da visão de demônios que para eles podiam matar quem os visse e estes estivessem em erro (errantes), pois tal mensagem seria endereçada àquele indivíduo e podia destinar tanto a vida como sua morte.

A comunicação que partia do homem para os deuses, se dava de três formas: fosse através do oráculo, prece individual e pessoal ou fosse através do culto.

Tais comunicações tinham como intuito pedir proteção seja para seus trabalhos, seja para saúde, enfim, ser protegido dos males que podiam os atacar. Era também uma forma de “governantes” tomarem decisões sobre como agir em determinada situação que envolveria tanto ele próprio como seu povo (uma guerra, por exemplo, uma invasão, etc.).

 

 

 

As divindades estão sempre aqui

 

Falando sobre a presença divina na terra era de certa forma “constante”, pois, como acontecia com os cultos que não necessitava de ações rituais, com exceção dos cultos solares que tinham que ser realizados em um ponto fixo onde se dava a concentração das forças divinas. Já se tratando de reverências e preces individuais poderiam ser realizadas em qualquer lugar pela pessoa e esta “seria atendia”. Já no caso das imagens de adoração estava diretamente ligada  através de ritos manifestavam os poderes divinos.

 

A relação do rei com os deuses

 

O rei exercia papel fundamental na sociedade e o mundo dos deuses, tendo como cargo a manutenção do reinado de Maat na terra que era a realização da justiça, harmonia e coesão social, prática da verdade para que houvesse o bem coletivo. Afinal, só os reis tinham acesso a dialogar com os deuses e consequentemente só ele poderia realizar a tarefa de passa para o mundo real os desígnios do mundo dos deuses.

 

A relação divina com o homem

 

Os deuses eram temidos por poderem intervir na vida do indivíduo, mas isto só ocorreria por atos errôneos do indivíduo ou por praticar algo contra esse deus. No geral, todos amavam seus deuses e isto fazia bem para os indivíduos e também para a sociedade em geral pois sabiam que estavam protegidos e bem amparados.

            Como em nossa cultura hoje, os egípcios também tinham seus “patronos”, ou seja, tinham seus deuses que eram representantes de classes sociais, representantes de grupos de trabalho como, por exemplo, Ptah que era o deus dos artesãos, escultores entre outros.

            Com base em tudo que vimos acima, concluímos que a relação de comunicação entre o divino e o mundo real, era totalmente tendenciosa por parte dos reis e faraós, visando somente um privilégio em face de sua sociedade local para manter sua posição superior e manter seu poder de manipulação social, levando sua gestão nos moldes que “os deuses querem”.

            E, com isso, mais uma vez vemos a manifestação política se colocando de forma mascarada nos preceitos de crença religiosa e de fé do povo egípcio.

 

OS DEUSES E SEUS LOCAIS

 

O deus de cada cidade

 

Cada cidade tinha um deus como seu representante e protetor. A relação entre os deuses e os seres humanos baseava-se no consenso cultural através de rituais e mantimentos dos altares divinos fartos pára manter a ordem e o bem estar da cidade. Porém, tudo devia ser sigiloso porque se o sacerdote revelasse o a aparência do deus ao povo ele lançaria sobre aquela cidade maus momentos, mas se ele mantivesse tudo em segredo ele lançaria sobre aquela cidade paz e prosperidade.

Os deuses das cidades tinham festas onde toda a população participava com o objetivo de ser “abençoado pelo deus”.

Quando estavam longe de sua cidade natal os egípcios eram protegidos pelo “Deus de sua cidade”. Pois ele não era fixo ele acompanhava os seus fieis onde quer que fossem. O que não os impediam de adorar o deus local de onde estivessem e de terem um local em particular para cultuar o seu próprio deus.

 

O deus de cada cidade

 

Cada cidade tinha a sua particularidade em relação ao seu deus. No interior dos santuários continhos as história da batalhas, das vitórias, em fim características próprias do local e de seus respectivos deuses.

A geografia nesse instante só se vê nitidamente na divisão das cidades, pois seu funcionamento e explicações ainda giram em torno dos deuses.

Exceto em relação aos nomos que surgem, nos envasamentos dos templos tardios eles levam para os faraós toda a produção da sua cidade atingiam no seu totalidade 42 províncias que se estendiam aos 42km das margens do rio Nilo.

Amenófis IV ao fundar Kamark passou a cobrar impostos com base “extremamente geográficas” do sul para o norte a partir daí a idéia de conceitos geográficos passa a existir.

Neste momento visto com os relatos acima, conclui-se que a força política atravessa barreiras e fronteiras regionais. Levando o nome de um deus e seu culto até fora dos “portões” de sua cidade e com isso, tentando mostrar para o outro que seu deus tem força e alcance em qualquer lugar que seus fiéis estejam. E isso causa “naturalmente” uma disputa política de poder, manipulando assim toda essa lógica de crença religiosa e de fé.

 

CONCLUSÃO

 

            Após nos debruçarmos sobre este conteúdo podemos compreender que o antigo Egito esteve longe de constituir uma sociedade simplória. Ao que tange as questões sócio-políticas, estas não se tornam inferiores por apresentarem um contexto diferente dos valores e do modelo europocêntrico.

            Então podemos concluir que o antigo Egito possuía sim uma complexidade sócio-política, porém baseada num outro sistema, o qual se concentrava num casamento com a religião, distante, portanto do modelo europeu de uma instituição burocrática, ou seja, toda uma relação de fé e de crença em algo maio do que a materialidade esteve  intrinsecamente ligada a política, a  economia e as relações sociais.

            Portanto a cola que unia esta sociedade e a mantinha coesa era a fé, onde o divino se misturava com o humano e onde o poder se estabelecia dentro de um contexto mítico e sagrado.

 

BIBLIOGRAFIA

 

TRAUNECKER, Claude. Os Deuses do Egito. DF:UNB. 1995.

 

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